
Marcos Michelin/EM/D. A Press
Elissama Assis (de preto) e sua cliente Ana Carolina: a consultora deixou a carreira de jornalista para se dedicar à venda de maquiagem
Beleza movimenta R$ 21 bilhões anuais
Brasil já é o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo, atrás apenas do Japão e dos Estados Unidos
Sandra Kiefer
Os brasileiros estão gastando cada vez mais com maquiagem para valorizar o que já é bonito por natureza. O país se tornou o terceiro maior mercado de cosméticos do mundo em 2009, atrás apenas de Japão e Estados Unidos. Os gastos com produtos de beleza ultrapassam R$ 21 bilhões anuais, segundo cálculos da Indústria Brasileira de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC). Quase a metade – R$ 9,1 bilhões – vem das empresas de venda direta de cosméticos ou, em outras palavras, da insistência das consultoras de beleza em oferecer as últimas ofertas de batons, potes de creme e xampus impressas nas revistas. São elas que ajudam a criar um canal direto com a nova classe média brasileira, que está descobrindo novos truques para ficar mais bonita e cheirosa.
“O Brasil está a caminho de atingir rapidamente o segundo lugar no ranking de cosméticos, crescendo a taxas de dois dígitos, enquanto o segmento encolheu nos Estados Unidos e o Japão ainda não saiu totalmente da crise financeira”, compara Luís Bueno, diretor regional da Natura em Minas Gerais. Ele prevê que a meta pode ser atingida em cinco anos, se forem mantidas as atuais tendências do segmento. A terceira posição do setor, hoje nas mãos do Brasil, era ocupada antes pela Alemanha. A diferença do terceiro para o segundo lugar é calculada em torno de US$ 10 bilhões.
No ano passado, o aumento do setor no Brasil, em conjunção com a crise econômica nos Estados Unidos, fez com que as vendas da Avon no país se tornassem as maiores do mundo – ainda assim, com um volume de cerca de R$ 3 bilhões, bem abaixo dos R$ 4,9 bilhões de receita da líder do setor, a Natura. Também a Mary Kay, espécie de Avon nos Estados Unidos, segundo definição das consultoras, fez o caminho inverso e investiu mais fortemente no Brasil. “A maquiagem da Mary Kay é toda feita com substâncias minerais. Concorre com as melhores marcas do mundo”, diz Elissama Assis, de 30 anos, consultora de beleza independente da marca norte-americana, que adota estratégia agressiva de concorrência.
A indústria da beleza já está de olhos abertos para o potencial do Brasil, que combina o culto à estética com o aumento da renda – nos últimos seis anos, 20 milhões de brasileiros deixaram a pobreza. Segundo Bueno, a Natura já está preparada para enfrentar quatro, em vez de somente um único concorrente forte na venda direta de cosméticos. “Vamos ser uma empresa ainda mais brasileira, agora que o Brasil começa a ditar a sua própria moda no mundo. Outras empresas seguem as paletas de cores de inverno, já que a estação é invertida”, alfineta. Ele lembra que, no ano passado, a empresa criou a linha jovem de maquiagem Aquarela, com cores fortes e com a cara do verão.
Apesar de a economia brasileira ter apresentado movimentos erráticos na década de 1990, o mercado para o setor de produtos de beleza manteve um crescimento estável de cerca de 10% ao ano. Até setembro de 2008, a Natura havia crescido 19,7%, acima dos 9,8% registrados no mercado da beleza como todo, segundo os cálculos da (ABIHPEC).Segundo especialistas, existem várias explicações para a popularidade dos produtos de beleza no Brasil, entre elas a grande proporção da população em cidades com praia e o clima quente, que levaria muitas pessoas a tomarem dois ou mais banhos por dia – e, consequentemente, aumentando o consumo de produtos como sabonete, xampus e condicionadores. (Com agências)

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